A um mês de Santa Fé 2026, Time Brasil quer transformar a competição em caminho para Lima 2027
Com vagas já garantidas no pentatlo moderno e handebol, atletas brasileiros tentam carimbar passaporte em mais 13 modalidades

Wander Roberto/COB
Falta um mês para o início dos Jogos Sul-americanos Santa Fé 2026, mas, para o Time Brasil, a competição já representa muito mais do que a disputa pela liderança continental. Entre 12 e 26 de setembro, na Argentina, o Brasil terá a oportunidade de conquistar vagas para os Jogos Pan-americanos Lima 2027 em modalidades que podem levar mais atletas brasileiros ao Peru no próximo ano.
A Missão reunirá aproximadamente 500 atletas brasileiros em 52 modalidades. Além de defender a hegemonia construída em Assunção 2022, quando o Brasil terminou na liderança do quadro geral com 319 medalhas — 133 de ouro, 100 de prata e 86 de bronze —, Santa Fé será uma etapa importante na preparação das equipes para os próximos desafios do ciclo.
“Os Jogos Sul-americanos são uma competição que proporciona oportunidades muito importantes em diferentes frentes. É uma chance para a formação e o desenvolvimento de atletas jovens em transição para a categoria adulta, por exemplo”, explica Jorge Bichara, Diretor de Esporte do Comitê Olímpico do Brasil.
O Brasil já tem vagas em Lima garantidas no pentatlo moderno e no handebol e em Santa Fé também pode conseguir classificações no atletismo, boliche, canoagem velocidade, escalada esportiva, hipismo adestramento, hipismo salto, hipismo CCE, karatê, patinação velocidade, pelota basca, squash, tiro com arco, triatlo e vela.
A dimensão estratégica da competição é justamente o que diferencia Santa Fé de uma simples escala no calendário esportivo. O evento acontece no meio do ciclo olímpico e a menos de um ano de Lima 2027, criando uma oportunidade para testar atletas, equipes e estruturas competitivas diante de um objetivo que já está no horizonte.
Ao mesmo tempo em que oferece espaço para a renovação, Santa Fé terá a presença de atletas que já ocupam posições de destaque no esporte internacional. Entre os nomes confirmados estão a campeã olímpica e mundial das águas abertas Ana Marcela Cunha e Marcus D'Almeida, vice-campeão mundial do tiro com arco. O boxe brasileiro também terá a campeã mundial Rebeca Lima e os medalhistas mundiais Luiz Gabriel Oliveira, o Bolinha, Yuri Falcão e Isaías Filho.
A combinação entre experiência e juventude faz parte da estratégia do Time Brasil. Se para os atletas mais jovens a competição pode representar uma etapa de formação e desenvolvimento, para os nomes já consolidados Santa Fé será uma oportunidade de buscar resultados expressivos e, em modalidades classificatórias, garantir presença em mais um grande evento do ciclo.
“Mas não podemos esquecer que estamos no meio do ciclo de Los Angeles e a pouco menos de um ano dos Jogos Pan-americanos. Então, é importante ter atenção em Santa Fé para a busca de vagas em Lima 2027 em todas as modalidades que forem classificatórias”, afirma Bichara. “Santa Fé 2026 será, portanto, um teste importante para a formação e a preparação das equipes que representarão o Brasil em Lima 2027.”
O planejamento, porém, não termina na preparação esportiva. A operação de Santa Fé será distribuída por três bases na Argentina — Santa Fé, Rosário e Mar del Plata —, aumentando a complexidade de uma missão que envolverá aproximadamente 500 atletas e uma grande estrutura de profissionais. A preparação da delegação inclui planejamento logístico, transporte de equipamentos, hospedagem, locais de treinamento e competição e integração entre o COB e as Confederações.
“É um evento grandioso, que exige muita atenção e cuidado na parte logística, que será dividido entre três bases”, destaca o Diretor de Esporte. “Isso vai exigir atenção tanto das equipes técnicas das confederações quanto do COB, especialmente pela condução de uma delegação numerosa.”
A preocupação com a operação acompanha a dimensão esportiva da Missão. No começo do mês, o COB reuniu os chefes de equipe das modalidades no Centro de Treinamento Time Brasil para os últimos grandes alinhamentos antes da viagem à Argentina. Transporte, hospedagem, treinamento, competição, credenciamento, uniformes e outros procedimentos operacionais fizeram parte da preparação.
Enquanto a operação entra na reta final, o objetivo esportivo é claro. O Brasil chega a Santa Fé para defender o protagonismo conquistado em Assunção, mas também para construir parte do Time Brasil que estará em Lima no ano que vem. E, para algumas modalidades, a disputa na Argentina pode terminar com uma vaga carimbada para o próximo grande compromisso continental.
“É, ao mesmo tempo, uma oportunidade para atletas de esportes em evolução buscarem seus melhores resultados individuais”, resume Bichara.












