Novo Programa GET fortalece governança e impulsiona evolução das confederações olímpicas
Nova edição avalia 37 Confederações olímpicas com metodologia mais objetiva e capacitação. Índice GET é um dos critérios para distribuição de recursos das Loterias

Alexandre Loureiro/COB
O Comitê Olímpico do Brasil (COB) concluiu o primeiro ciclo do novo Programa GET (Governança, Ética e Transparência), reformulado para ampliar o desenvolvimento da gestão das Confederações olímpicas brasileiras. Em 2026, 37 entidades participaram da avaliação, que passou a ser organizada em cinco princípios, e uma etapa de capacitação. A mudança consolida uma nova abordagem: além de avaliar as práticas adotadas pelas confederações, o programa busca apoiar a evolução de cada entidade.
"O GET deixa de ser apenas uma avaliação e passa a ser uma jornada de desenvolvimento. Com a nova metodologia, mais objetiva e alinhada às boas práticas de governança, queremos apoiar cada confederação a evoluir de forma contínua, e não somente medir seu desempenho", conta Matheus Figueiredo, Gerente de Relações Institucionais do COB.
Criado em 2017, o GET passou por uma revisão metodológica para o ciclo olímpico de Los Angeles 2028. No novo modelo, as questões foram reorganizadas em torno de cinco princípios de governança: Integridade, Responsabilização, Transparência, Sustentabilidade e Equidade. A proposta é tornar a avaliação mais objetiva e alinhada às boas práticas de governança corporativa, tendo como uma de suas referências o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC).
A revisão contou com a participação de especialistas, acadêmicos, integrantes da Comissão de Atletas do COB e representantes de 13 confederações olímpicas. O trabalho também foi registrado em artigo científico apresentado na 34ª Conferência da European Association for Sport Management, em setembro.
Capacitação e avaliação caminham juntas
Uma das principais novidades é a Academia GET, criada para fortalecer a dimensão educativa do programa. Entre março e junho, as confederações participaram de três meses de aulas on-line, estudos de caso e encontros para esclarecimento de dúvidas sobre os princípios avaliados. A iniciativa complementa a análise documental e busca ajudar as entidades a incorporar boas práticas à rotina de gestão.
"A Academia GET foi um marco deste ciclo. Capacitação e avaliação caminham juntas: as confederações não recebem apenas uma nota, mas o conhecimento e o apoio necessários para transformar boas práticas em rotina de gestão e resultado esportivo", destaca Matheus.
Governança também influencia a distribuição de recursos
O Índice GET é um dos 13 critérios utilizados pelo COB na distribuição dos recursos provenientes das Loterias às confederações olímpicas. Dessa forma, a avaliação de governança tem impacto concreto na relação entre o Comitê e as entidades, associando a adoção de boas práticas a um dos mecanismos de repasse financeiro.
Na edição de 2026, a média das confederações participantes ficou acima de sete pontos, resultado que indica um bom nível de maturidade em governança no Movimento Olímpico brasileiro. Mais do que estabelecer uma classificação, o programa oferece a cada entidade um diagnóstico individual, com informações que podem orientar melhorias para o ciclo seguinte.
A próxima etapa prevê ampliar as ações da Academia GET, estimular o compartilhamento de experiências bem-sucedidas entre as confederações e aprimorar continuamente a metodologia a partir das contribuições das entidades. O COB também pretende estudar formas de levar o programa a outras organizações esportivas, para além das confederações olímpicas.
"Nosso compromisso é que a governança se torne parte da cultura do esporte brasileiro. Vamos ampliar a Academia GET, estimular a troca de experiências entre as confederações e estudar a expansão do programa para outras organizações esportivas. Esse é o legado que queremos deixar", defende Matheus.











