Brasil dribla favoritismo e se torna o primeiro campeão do Flag Football masculino nos Jogos Sul-Americanos da Juventude
Modalidade estreante nos Jogos Sul-Americanos também estará presente nos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028; equipe brasileira enfrentou anfitriões e favoritos, mas encerrou com erguendo a taça

Flag Football é campeão dos Jogos Sul-Americanos da Juventude. Foto: Léo Barrilari/COB
O Brasil escreveu um capítulo inédito no esporte ao conquistar, neste domingo (19), o primeiro título do flag football masculino nos Jogos Sul-Americanos da Juventude. Na decisão, a seleção brasileira superou os anfitriões do Panamá por 34 a 32, encerrando uma campanha de superação diante dos favoritos e colocando o país em evidência em uma modalidade que também fará sua estreia nos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028.
Mesmo tendo sido derrotado duas vezes pelos panamenhos ao longo do torneio, o Brasil entrou em campo na final com uma postura diferente. A equipe começou dominante, com três touchdowns ainda no primeiro tempo, abrindo 21 a 12 antes do intervalo. Na segunda etapa, manteve o controle do jogo durante boa parte do confronto. Nos minutos finais, o Panamá pressionou e encurtou a diferença, mas não conseguiu evitar o título brasileiro.
“Eu estou muito emocionado, porque é a primeira vez que temos a oportunidade de estar aqui. Ganhar esta competição faz o flag ser conhecido por mais pessoas e queremos levar isso para o Brasil todo e fazer crescer cada vez mais”, disse o quarterback Pablo Ricardo Santiago.

A conquista ganha ainda mais relevância pelo contexto. Com forte influência da cultura esportiva dos Estados Unidos, o Panamá era apontado como favorito e já havia levado a melhor nos confrontos anteriores. Pedro Barletta, defensive back do time, atribuiu a vitória na decisão pela maturidade e mudança de postura do time em campo.
“No primeiro jogo estávamos muito nervosos, porque o Panamá é um adversário muito difícil. Quando viemos para esta final, viemos querendo muito e ninguém ia querer mais que a gente. Entramos com sangue no olho, com a mentalidade focada no jogo e com certeza a nossa postura foi o diferencial”, afirmou Pedro Barletta.
A campanha brasileira
A equipe brasileira estreou na competição justamente com a derrota para os anfitriões por 55 a 34. Na sequência, a equipe se recuperou com vitórias expressivas sobre a Argentina (61 a 0 e 56 a 14) e o Uruguai (59 a 0 e 54 a 0). Em um novo duelo equilibrado contra o Panamá, acabou superada por 33 a 32. Já na semifinal, voltou a enfrentar a Argentina e garantiu a vaga na decisão com autoridade, ao marcar 43 pontos.
Para a Presidente da Confederação de Flag Football, Cristiane Kajiwara, o título reflete a evolução da equipe ao longo do torneio e representa um passo importante para o futuro da modalidade no país. “A gente sabia que seria um campeonato muito difícil. O Panamá é o país-sede, tem mais tradição e joga há mais tempo que o Brasil. Ontem, quando tivemos a derrota por um ponto, ficamos com um gostinho de esperança, de que era possível sonhar com esse título. Hoje, eles entraram com muita garra e determinação e conseguimos levar esse jogo”, afirmou.
De olho em Los Angeles 2028
Além de colocar o Brasil na história dos Jogos Sul-Americanos da Juventude, o ouro inédito marca o início de um ciclo promissor para o flag football nacional, já com foco na estreia olímpica da modalidade em Los Angeles 2028.
Cristiane Kajiwara destacou que a conquista vai além do resultado imediato e representa um impulso estratégico para o crescimento do esporte no país. “Esse título é muito importante porque é um esporte que ainda está conquistando visibilidade no Brasil. Essa vitória vai abrir muitas portas para que mais crianças queiram praticar. Os atletas voltam com experiência internacional, o que é fundamental para o desenvolvimento, principalmente das categorias de base”, afirmou.
A dirigente também destacou o papel da nova geração revelada na competição dentro do planejamento para os próximos ciclos. “Esse título traz mais visibilidade pensando nos próximos Jogos e na renovação. Essa é uma nova geração que está se preparando para competir por seleções adultas”, completou.













